- Amor, cadê a minha echarpe?
- Eu não sei, eu nunca sei. O teu armário é tão organizado que eu não consigo achar nada lá. Agora, seja útil e me ajude com o meu colarinho. - Pedro segurou a parte superior da gola de sua camisa, esperando que Ana a abotoasse.
- O que? Seja útil? - Ana escarneceu em falsete - Depois de 3 anos, 7 meses e 12 dias de casamento, você vem me dizer que eu sou inútil? - nesse momento, Ana brandia o pincel do rímel como se fosse um machado.
- Ana, calma... Pare com esse pincel, não quero morrer a pinceladas. Seja útil, é só uma expressão, não é nada pessoal. Você não é inútil, é só que...
- É só que o quê, Pedro Campos?
- É... você acha que um homem como eu, iria se casar com uma inútil? Nunca, amor. Você é... você é única!
- Um homem como você? Que tipo de homem você é? Lembra, da nossa noite de núpcias, que depois de a gente ter transado, você foi na cozinha chorar e tomar leite?
- Sim, lembro, mas, Ana, não fale assim como se tivesse lendo a Mein Kampf... É só que você sabe, eu sempre tive uma certa rejeição materna...
- Sim, eu sei. Mas o que diabos a sua mãe tem a ver com o nosso sexo? Santo Deus... a cada dia você me aparece com uma desculpa pior...
- Ai, como eu mereço isso... Tudo começou por causa da porra daquela echarpe... - Pedro colocava seus sapatos, quase arrancando os pés, tamanha a raiva.
- Não, Pedro, não é só a porra daquela echarpe, é todo o nosso relacionamento envolta daquela echarpe. É toda a sua incapacidade e infantilidade naquela echarpe.
Como que magicamente, Pedro olha pra Ana e diz:
- Sabe, Ana? Você tem razão! Eu sou infantil e incapaz... Justamente por isso, nunca fui capaz de conseguir entender isso! Mas então, vou lá procurar a sua echarpe, afinal, temos que nos arrumar rápido, o casamento do Mário não pode começar sem a gente, certo?
E assim, é provado cientificamente que em todas as discussões de relação, quem leva a melhor, é o sexo frágil. Ou, não tão frágil assim...
sexta-feira, 7 de março de 2008
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