sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

juntos

aquilo que dura um segundo
é o que faz parar o mundo
e até levanta defunto

há quem jure de pés juntos
que não há nada de muito mais
mas é só porque esse nunca ficou sem cais

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

the lost cornucopia

there may be no answer
to that question made by
the irresponsible soul-eater
who made me believe i could fly
to places where i shall not be
except when i am with you
and to stay decide we
then you tell me
that i have to go
even though i feel
it was my (and your) place
i must face
that to you i am nothing but a bill
which comes and goes
every single month
as your fortune flows
into your throat

for i have been taught
life has already been easier
to the ones who have loved and fought
and i will be here forever
listening to a funny little love song
made by cole porter
and you will be there with your lungs
that can breath (surprisingly)
despite your (hellish) cornucopia
of self-esteem and tears and a (remarkably)
salty distance and phobias

sábado, 2 de janeiro de 2010

un coeur plein de rien comme tous les autres

ninguém sabe aonde a noite levou
aquela moça que diz viver sem amar
e aquele rapaz que dizem que ela buscou
a vizinhança ontem já perguntou
se a saída não foi a fim de fornicar
e a pobre dona flora até corou
só de crer que seu filho não mais haveria de voltar

e bem na hora em que ingrid o bogart iria deixar
e a moça trêmula na trêmula mão do rapaz iria pegar
e dizer que era mentira o seu viver sem amar
e ao rapaz todo o seu afeto confessar
alguém lá de cima grita que o cinema está a queimar
corre-se pra lá corre-se pra cá para ninguém no fogo se acabar
e a moça e o rapaz vão-se a correr e a disparar

na primeira esquina o rapaz parou
e a moça também o fez e logo a batida no peito disparou
o rapaz disse que sempre a amou
que em seus sonhos sempre a beijou
e agora finalmente na esquina a abraçou
a moça um sorriso esboçou
e o rapaz ao seu quarto a levou

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E Ele fechou o livro com aquela expressão de quem sente uma dor aguda começando. De fato, ela estava. No entanto, não era bem uma dor, uma dor no sentido próprio da palavra; eram lembranças que se misturavam ao poema que acabara de ler. Cenas vinham à sua cabeça mas Ele não sabia mais o que acontecera realmente e o que era parte do poema. Não, não. Na verdade, as coisas não aconteceram; eram mais lembranças do futuro. É como se fosse algo que não acontecera ainda, mas que Ele esperava acontecer. E não aconteceram. Aquele vazio lá dentro começou a doer. Rá!, era essa a dor; - não, não era. Para aí. Agora, Ele percebeu que aquelas lembranças do futuro também faziam parte do vazio que doía. Bom, taí, com tudo isso ele percebeu que aquele vazio não era só devido aquilo que ele imaginara - caos do século vinte e um; vida sem sentido; morte iminente; pagode - mas também a outras coisas. Sentou-se na cama e ficou tentando imaginar a que outra coisa se deveria aquela dor do vazio. Amor, anseios errados, saudades do que teve, saudades do que não teve, frio. Ele se sentiu como a Geni sendo atingido por bostas e pedras, só que interiores. Deitou-se. Olhava ao teto e aquilo só fazia aumentar a tal dor. Abriu novamente o livro, releu o poema e viu que isso piorou a situação. A dor agora era imensa. E Ele gritou, berrou, abriu a garganta, vagiu. Como fosse pó, a dor passou. Não preciso mais pensar em ir ao analista, pensou Ele. Porém, num brevíssimo instante a dor voltou. E tudo voltou a girar, as lembranças do futuro agora se misturavam às lembranças reais e às lembranças de sonhos; era uma orgia onírica. Ele, no meio de um êxtase não desejado, voltou a sentar-se na cama e lembrou-se de que Ele vivia com aquela dor, com aquele vazio, e que não era a primeira vez a ter um ataque daqueles. O problema é que toda vez Ele ficava assim desesperado, como se fosse a primeira vez do ataque do vazio. Por fim, acalmou-se. Terei mais um desses mais dia, menos dia, vá lá; fez um acordo consigo mesmo. É, dizem que isso é como pedras nos rins, é só esperar que um dia sai - e dizem também que só sai quando se morre. Morrer? Ai, começou a dor novamente. Morrer não não não não