terça-feira, 19 de outubro de 2010

cinco ou oxalá

tu não me apareças
mais assim tão bonito
essa tua boniteza de impurezas
me é como um vivo rito

esse palco em que tu danças
aceite antes do derradeiro apito
mais alguém para as contradanças
vivas de incomparável atrito

sábado, 16 de outubro de 2010

trompe-toi!

fluxo
ilimitado
de consciência:
pecado
pecado

seis mais um suspiro

soa-me alto o
silêncio que tratei como
sussurro proposital ou
sismo antinatural
sem reclamar agora
silencio o tudo

- ai que frio me dá
essa luz de inverno

seis

durante seis anos ele fez uma poupança
até que um dia cansado de toda essa história
resolveu viver voltar à antiga pujança
só que como gastar como ser não lhe vinha à memória
já bem diziam que quem não dança segura a criança

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

sete

a maldizer tudo pelos ares
a enfiar a cabeça num muro
tão alto de desgosto e sofrer
a acender sete velas sem entender
a esperar por sete selos vazios
tão aziagos de angústia e viver
a ver numa porta o porvir
a marcar-se em nome do nada
tão desconhecido de desejo e partir
a economizar o ser das ânsias
a tecer as horas modorrentas
tão soporíferas de perda e remar
a rabiscar a fim de exorcizar
a escrever como expressão do desânimo
tão presente de tenacidade e existir
a pintar de d'us as paisagens
a transformar-se na sina
tão obscura de gozo e revirar

sábado, 2 de outubro de 2010

aux rues vides

où est ta rue?
où tu habites?
- tu me l'avais dit
mais je l'ai oublié
quand je t'ai revu -
comment tu vois tes rêves?
comment je te semble?
qu'est-ce que tu fais
quand ta vie danse?
qu'est-ce que tu dis
à toi-même
quand tu es dans
le silence?
pourquoi tu ne
m'as pas dit
je vais?
pourquoi tu ne
m'as pas demandé
où est ma rue
où j'habite?

- je vais aux rues vides
je ne suis que ce qui est vide