segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

baladinhas sentimentais

acordei com o coração
pulsando na palma da mão
senti dentro de mim um vão
o coração saíra e deixara aberto o alçapão

na dancinha de nós dois
não há lugar para talvez ou pois
nem para eles ou bois
só eu e tu nós dois

pra suportar essa tua ausência
é preciso sapiência
porém diz a minha ciência
que o melhor é a tua paciência

quando te lembro há em mim um paroxismo
que mais parece um sismo
e cada vez mais eu cismo
que é uma bela doença um saudadismo

o poeminho que lh'escrevi
fiz quando me lembrei de com'ocê sorri
de quand'eu primeiro lhe vi
e de com'ocê riu quand'eu lhe mordi

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

poemeto de alguém

bati e a porta lá continuou
quando as costas a ela dei
alguém meu nome chamou
embora por aquilo esperasse
pus meus pés à frente e continuei
e alguém meu nome ainda chamava
com tal força e tal sentimento que jamais imaginara
mas eu ainda hesitava
e alguém meu nome continuava a chamar
voltei porém alguém a porta fechara
quando a ponto de ir-me estava
percebi que lá de dentro alguém a me chamar continuava
sem mais pensar entrei
e ao meio do corredor alguém se quedava
e a esse alguém minhas mãos lancei
e num fulgurante pas de deux entramos
mãos bocas pernas braços pupilas alguéns todos dançaram
ao final da ária inertes ali ficamos
e as mãos as bocas as pernas os braços as pupilas os alguéns todos suspiraram
e quando aquele sorriso que só alguém sabe dar
dar-me-ia
por fim um demônio me veio a cutucar
a dizer que parar deveria

de todas as idiossincrasias que pensei ter
jamais me veio às ideias
que talvez pudesse ser
um daqueles que pensam
naquilo que poderia ter sido
mas não foi
naquilo que é
mas não poderia ter sido
naquilo que há-de ser
mas
pensando bem
não há-de ser

e àquele pequeno demônio que isso me fez pensar
eis aqui meus sinceros desejos
vá à merda