bati e a porta lá continuouquando as costas a ela dei
alguém meu nome chamou
embora por aquilo esperasse
pus meus pés à frente e continuei
e alguém meu nome ainda chamava
com tal força e tal sentimento que jamais imaginara
mas eu ainda hesitava
e alguém meu nome continuava a chamar
voltei porém alguém a porta fechara
quando a ponto de ir-me estava
percebi que lá de dentro alguém a me chamar continuava
sem mais pensar entrei
e ao meio do corredor alguém se quedava
e a esse alguém minhas mãos lancei
e num fulgurante pas de deux entramos
mãos bocas pernas braços pupilas alguéns todos dançaram
ao final da ária inertes ali ficamos
e as mãos as bocas as pernas os braços as pupilas os alguéns todos suspiraram
e quando aquele sorriso que só alguém sabe dar
dar-me-ia
por fim um demônio me veio a cutucar
a dizer que parar deveria
de todas as idiossincrasias que pensei ter
jamais me veio às ideias
que talvez pudesse ser
um daqueles que pensam
naquilo que poderia ter sido
mas não foi
naquilo que é
mas não poderia ter sido
naquilo que há-de ser
mas
pensando bem
não há-de ser
e àquele pequeno demônio que isso me fez pensar
eis aqui meus sinceros desejos
vá à merda