aquele menino lá
vai atravessar a rua.
- será
que ele conseguirá?
- veja,
ele já atravessou.
- pobre menino,
fez aquilo por que tanto procurou,
a rua atravessou,
e parece tão acabrunhado.
- vá entender
esses meninos de hoje em dia...
- veja,
lé vem uma menina.
parece que a rua
também vai ela atravessar.
- que menina astuta.
atravessou,
chegou,
e o menino nem a conseguiu notar.
- estarão eles a conversar?
- creio que sim.
e o menino parece interessado
na conversa da menina.
- ele parece
movido,
hipnotizado.
- são coisas
da meninice...
- mas a menina
é das danadas.
já no menino
um beijo tascou.
- veja,
o menino,
pobre ingênuo,
até corou.
- e agora,
onde vai o menino?
- acho que...
veja, lá!
foi atrás de flores
para a menina.
- que bela cena.
é lindo esse sentimento
que só expresso é
com flores,
cores,
e rubores.
- veja,
o menino é sortudo.
conseguiu uma rosa
amarela.
- sortuda é a menina
que terá uma flor
e um amor dedicado
só para ela.
- e lá vai ele
levar a flor
e o amor.
- veja o sorriso
que junto ele leva.
- mas...
cadê a menina?
- até há pouco
ela lá estava.
- será
que se foi embora?
- pobre menino...
veja,
aquele sorriso
foi-se também embora.
- agora sim
ele está realmente
acabrunhado.
- se ao menos
pudesse ajudá-lo...
- deixe-o.
- vá entender
essas meninas de hoje em dia...
- que nada nos dão
senão afasia!
- deixa
a tua mulher ouvir isso.
ela te põe na rua
sem dinheiro e sem fantasia.
