"Não posso escutar muito Wagner. Fico com vontade de invadir a Polônia."
(Woody Allen)
Já fui acusado até de subversão, por conta de minha personalidade irritadiça e instável, mas agora já posso ter uma vida razoavelmente sociável, graças ao avanço médico no estudo de calmantes e cremes que previnem a calvície. Já fui casado, somente uma vez, minha esposa me trocou por um encantador de serpentes árabe que apareceu em nossa rua. Mas eu já superei isso, foi rápido, assim como superei rapidamente o que a comunidade psiquiátrica descreveria como "trauma pós encontro às escuras."
Quando criança, não tinha amigos: tinha somente aliados ou inimigos. Não tive uma infância normal, e não ponho sobre ela a culpa de meus transtornos. Nas festas de família, meus pais nunca eram convidados, e quando convidados, o convite vinha acompanhado de um post scriptum: "Caso vierem, não esquecer da camisa de força para seu filho." E como meus pais eram pessoas caridosas e piedosas (exceto quando me obrigaram a encenar "Iracema" para nossa vizinha) nunca aceitavam os convites. Sou o filho mais novo de uma quadrilha de oito, sorte de meus irmãos que já não moravam em casa, pois até os mais velhos eu pegava para meus experimentos, os quais envolveram, entre outros: criogenia, eutanásia, procura pelo elo perdido e a apreciação forçada de discos de óperas guatemalecas.
A infância passou, e com doze anos enfrentei minha primeira perda significativa: a morte da lebre que eu usava para alguns experimentos. Na adolescência, descobri o amor. Minha primeira namorada se mandou depois de descobrir que o mentecapto que violou o túmulo de sua recém-enterrada avó, havia sido eu, e que o corpo agora jazia sobre uma bancada no meu porão. Minha segunda namorada era marxista, para ela tudo era baseado na luta de classes, incluindo cafés da manhã. Esse namoro durou só três meses, porquê ela tinha que ir ao Rio de Janeiro tentar matar Getúlio, mas logo soube que ela fez um pequeno desvio no trajeto e acabou na Ilha de Páscoa, e lá criou uma seita de marxistas que se masturbavam à sombra dos moais. E daí pra frente, continuei numa sucessão de desilusões à procura de alguém significativo (com significativo entenda-se: alguém que além de dividir a cama, quisesse dividir também seus órgãos).
Meus experimentos na adolescência continuaram. Abri o crânio de um cão, e lá enfiei algumas páginas de Humano, Demasiado Humano, a fim de que ele virasse um líder filósofo, mas isso mostrou-se ineficiente. Realizei experimentos masoquistas com mulheres de militares, o que culminou em separações e homicídios. E finalmente o meu experimento máximo: observei um português conviver por duas semanas no meio de dois italianos, e três orangotangos; a finalidade desse experimento era realmente inovadora, mas me escapa no momento.
Já adulto, continuei o mesmo, exceto por novas experiências sexuais adquiridas envolvendo manteiga e pregos.
E agora, em meu leito de morte, gozando de minhas plenas faculdades mentais (meu mordomo insiste que isso não é verdade), escrevo essas pequenas memórias, à espera da hora da morte, ou a hora em que abrirão a jaula e soltarão os albatrozes ferozes.
Se causei algum mal a você ou a algum conhecido seu por meio de meus experimentos, não me arrependo, e você, não reclame.
Portanto, aqui deixo meu adeus, enquanto sinto o cheiro de costelas de porco assadas, vindo da casa ao lado.
terça-feira, 29 de abril de 2008
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Modéstia à parte
Eu sou uma das poucas pessoas que conheço, que nutre ódio por certas expressões de nossa língua. A expressão que eu mais odeio, talvez seja "modéstia à parte". Porque, só pra começar, eu não sou modesto, nenhum pouco. Eu acho, que se eu consegui resolver uma equação proposta por Isaac Newton após morto, ou se eu ganhei dezessete milhões de euros na loteria, por quê diabos, haveria eu de ser modesto? Aí sim é que eu me mostro, e que imponho minha superioridade aos outros, ex.: "Olha, gente. Ontem comprei um super-celular que tira fotos, filma, grava voz, manda torpedos e mísseis, faz ligações, recebe ligações, tem visão de raio-x, tem menu com todos os idiomas e dialetos possíveis, e ainda fornece orgasmos sem penetração. Legal, né? E você, que ainda vai no orelhão... Oh, que peninha..."
Semana passada, estava na sala de embarque do aeroporto esperando pelo horário para embarcar no avião. No banco do meu lado, estava uma mulher que deveria ter seus 30 anos, e ao lado dela havia alguém que eu penso ser sua melhor amiga. A de 30 anos estava falando assim: "Ai amiga, tô tão feliz que o meu chefe me escolheu pra ir nessa reunião em Amsterdam com ele, e não escolheu a Magda. Porque, modéstia à parte, eu sou muito melhor que ela, sabe?" E eu, ao lado pensando sobre o que ela disse "Porque colocar 'modéstia à parte' nesse seu discurso, sendo que o seu intuito ao falar pra sua amiga que você é muito melhor que é Magda, é o de causar admiração ou que ela pelo menos concordasse com você, mas por quê 'modéstia à parte'? Você não foi nem um pouco modesta, querida". Enquanto pensava isso, eu fechei meus olhos e imaginei-me atirando aquela fileira de cadeiras contra a de 30 anos, e dizendo pra ela "Eu sou muito melhor que você. Quem que tá mandando agora? Quem é mais poderoso?" Mas depois de pensar isso fui obrigado a abrir minha maleta e tomar o meu calmante, para não causar maiores problemas.
Creio que a pessoa ao dizer "modéstia à parte", quer na verdade dizer "Porque eu sou muito, mas muito melhor que ela."
Então, você, leitor que costuma usar essa expressão, saiba que aos ouvidos alheios (principalmente os meus), ela causa um estrago colossal! Na próxima vez, troque o "modéstia à parte", por, por exemplo "Eu sou muito melhor que você! Vai se foder seu pobre perdedor! Porque quem ganhou fui EU e não você! Rá! Vai pra casa chorar e ouvir Leandro e Leonardo!", pois garanto que assim você aparentará ter mais classe.
Semana passada, estava na sala de embarque do aeroporto esperando pelo horário para embarcar no avião. No banco do meu lado, estava uma mulher que deveria ter seus 30 anos, e ao lado dela havia alguém que eu penso ser sua melhor amiga. A de 30 anos estava falando assim: "Ai amiga, tô tão feliz que o meu chefe me escolheu pra ir nessa reunião em Amsterdam com ele, e não escolheu a Magda. Porque, modéstia à parte, eu sou muito melhor que ela, sabe?" E eu, ao lado pensando sobre o que ela disse "Porque colocar 'modéstia à parte' nesse seu discurso, sendo que o seu intuito ao falar pra sua amiga que você é muito melhor que é Magda, é o de causar admiração ou que ela pelo menos concordasse com você, mas por quê 'modéstia à parte'? Você não foi nem um pouco modesta, querida". Enquanto pensava isso, eu fechei meus olhos e imaginei-me atirando aquela fileira de cadeiras contra a de 30 anos, e dizendo pra ela "Eu sou muito melhor que você. Quem que tá mandando agora? Quem é mais poderoso?" Mas depois de pensar isso fui obrigado a abrir minha maleta e tomar o meu calmante, para não causar maiores problemas.
Creio que a pessoa ao dizer "modéstia à parte", quer na verdade dizer "Porque eu sou muito, mas muito melhor que ela."
Então, você, leitor que costuma usar essa expressão, saiba que aos ouvidos alheios (principalmente os meus), ela causa um estrago colossal! Na próxima vez, troque o "modéstia à parte", por, por exemplo "Eu sou muito melhor que você! Vai se foder seu pobre perdedor! Porque quem ganhou fui EU e não você! Rá! Vai pra casa chorar e ouvir Leandro e Leonardo!", pois garanto que assim você aparentará ter mais classe.
sexta-feira, 11 de abril de 2008
Pretensões Shakespearianas
Uma de minha pretensões enquanto vivo (porque depois que morrer pretendo realizar outras) é escrever uma peça de teatro. Uma dessas peças imortais, sabe? No melhor estilo Macbeth, Rei Lear, essas peças que todos ouviram falar e sempre ouvirão. Ou então, sonho em escrever aquelas peças de contracultura tipo Roda Viva do Chico, ou O Homem do Príncipio ao Fim, do Millôr. Ou até mesmo aquelas peças de pseudo-intelectuais-vanguardistas, tipo Samuel Beckett.
E foi analisando essas pretensões, e analisando os escritos supracitados, que eu vi que tenho capacidade para fazer peças iguais ou melhores! Assim, dei início a minha peça ainda incabada, intitulada "Memórias de Marasmo". A seguir, pequenos trechos dela:
"(A cortina ainda fechada, luzes apagadas. Ouve-se uma voz ao fundo, voz do personagem principal, Sócrates)
Sócrates: Meu nome é Sócrates. Não, não sou e não possuo nenhum parentesco com o filósofo. E caso você não goste da peça, fique sabendo que eu, Sócrates de 2008, não tomo cicuta nem nada, portanto, permaneço vivo.
(A cortina sobe e vê-se Sócrates vestido de lobisomem no centro do palco, vazio. Um holofote ilumina o lobisomem, o resto do palco permanece escuro)
Lobisomem: Sempre gostei de macarrão, não posso negar. Macarrão à bolognesa, macarrão ao molho madeira, macarrão à puttanesca, macarrão ao molho branco, macarrão ao alho e óleo, enfim, tudo que envolva macarrão. (Senta-se na beirada do palco) Para mim, o macarrão sempre foi um empecilho nos meus relacionamentos interpessoais. Ah, e claro, também o fato de ser um lobisomem, afinal, quem gostaria de estar dando uma festa e, de repente ao olhar para o lado, vê um lobisomem segurando uma taça de vinho? Uma coisa que não é contada, é que lobisomens são gays, portanto, mulheres com fetiche por pêlos, sorry. Sim, somos gays, afinal de contas você já ouviu de alguma "lobimulher"? Um de nossos ancestrais tentou uma aproximação com uma Monga de um parque de diversões, mas descobriu à duras penas, ou pêlos, que gorilas não são chegados em lobos. (Anda em direção ao final do palco.) Um último aviso: cuidado com os pepinos. (Sai, e a cortina desce)
(Cortina sobe. Luzes do palco apagadas. Logo ouve-se o ranger de uma porta e as luzes são ligadas. Vê-se uma parede branca ao fundo com uma porta preta. Saindo dessa porta, vemos Sócrates travestido. Sócrates traz junto de si uma cadeira. Leva a cadeira ao meio do palco, senta-se e cruza as pernas. Procura algo na bolsa, uma piteira vermelha. Coloca nela o cigarro, o acende, e começa a falar)
Travesti: Acabei de chegar da funerária. Fui lá mandar fazer o meu caixão. Eu mesma desenhei e mandei fazer. É um caixão rosa e verde, com talhas de pássaros e flores parecendo aquelas iluminuras do século XVIII. Minha gente, desculpe o clichê, mas, (começa a cantarolar) "quando eu morrer, não quero choro nem vela!" (Levanta-se e começa a andar pelo palco e ocasionalmente olha para a platéia) E já preparei meu traje para meu funeral. Será totalmente Coco Channel, um longo preto com dois broches: um da Gisele - minha deu-sa! - e o outro é um broche de madrepérola que roubei de uma amiga, mas isso é outra história. Estarei calçando um par de Manolos Blahnik, pretos com detalhes de diamantes no salto. Sabe, eu acho que a vaidade é importante até na morte. Porque eu quero morrer com classe! Nada daquelas mortes à là Lupe Velez! Lupe sonhava em uma morte perfeita, e para concretizar seu plano, resolveu se matar. Jantou guacamole com tortillas. Depois foi ao quarto, colocou seu melhor robe de seda branca, e tomou uma cartela de remédios para dormir. (Senta-se novamente) Deitou-se na cama esperando a Morte ceifá-la. Porém, sentiu uma certa indigestão e foi ao banheiro. No banheiro, teve uma diarréia e vomitou. Sem forças, levantou trôpega e bateu com sua cabeça no granito da banheira. Resultado: morreu vomitada, cagada e com a cabeça embebida de sangue! Gente! Acabei de lembrar de uma coisa! Hoje comprei um novo estojo de maquiagem da D&G, querem ver? (Começa uma busca desenfreada em sua bolsa até achar o estojo) Olhem que lu-xo! (A cadeira se quebra e o travesti cai da cadeira e morre agonizando no palco com uma perna da cadeira atravessando seus pulmões. A cortina desce)
(A cortina sobe e vemos Sócrates de costas, vestido de soldado romano e dançando ao som de Like a Virgin. Ele vira-se para a platéia, dá uma risada, pega sua espada e começa)
Soldado: Eu comi a Madonna. Sério mesmo. A minha Madonna. Certo, não é a Madonna-Putona-Delícia, mas é a minha esposa, Madonna da Silva. Um dia desses, fui pegar uma roupa minha no armário e sem querer, abri a gaveta das calcinhas da Madonna, e lá vi duas baratas copulando sobre a calcinha de motivos havaianos, e eu não sei o porquê eu lhes disse isso. Ah, e antes que vocês me façam a mesma pergunta que o motorista do ônibus me fez, já vou dizer: estou usando essa fantasia de soldado porquê tenho uma festa a fantasia daqui a pouco, o tema da festa é "Pessoas da História que Tinham Bronquite". Achei um tema interessante. A propósito, sou professor de história da Universidade Galhos Secos Não Quebram. Minha tese do doutorado foi "A Influência dos Escaravelhos na Glória Maria", essa tese foi aplaudida de pé pelas cento e dezessete pessoas que assistiam a palestra. Se eu estivesse na platéia eu também aplaudiria. E depois da palestra eu distribuí quindins aos presentes, afinal o quindin também é citado em minha tese por causa de sua direta relação com a formação de folículos capilares. (Ouve-se o ínicio de I Want to Break Free. O soldado põe a mão no bolso escondido da fantasia, pega seu celular) "Oi amor. Sim, claro. Uhum. Ok, agüenta as pontas aí que eu logo chego aí". (Desliga o celular e o põe de volta no bolso) Meu povo, desculpem-me, mas a minha Madonna não conseguiu fechar os botões de trás da fantasia de Freira Clausurada, então vou ajudá-la. Até mais! (Saindo do palco e cantarolando Papa Don't Preach)"
Bom, esse é o primeiro ato de minha peça "Memórias de Marasmo", uma peça que analisa a malfadada vida de Sócrates por vários prismas sociais, econômicos, sexuais e mecânicos.
Espero logo terminar a minha peça para todos poderem vê-la e sentirem o mesmo que senti ao escrevê-la: um profundo sentimento de análise do homem e seus cães.
Gostaria que Sócrates fosse intepretado por Marcello Mastroianni, mas, acho que não dá...
E foi analisando essas pretensões, e analisando os escritos supracitados, que eu vi que tenho capacidade para fazer peças iguais ou melhores! Assim, dei início a minha peça ainda incabada, intitulada "Memórias de Marasmo". A seguir, pequenos trechos dela:
"(A cortina ainda fechada, luzes apagadas. Ouve-se uma voz ao fundo, voz do personagem principal, Sócrates)
Sócrates: Meu nome é Sócrates. Não, não sou e não possuo nenhum parentesco com o filósofo. E caso você não goste da peça, fique sabendo que eu, Sócrates de 2008, não tomo cicuta nem nada, portanto, permaneço vivo.
(A cortina sobe e vê-se Sócrates vestido de lobisomem no centro do palco, vazio. Um holofote ilumina o lobisomem, o resto do palco permanece escuro)
Lobisomem: Sempre gostei de macarrão, não posso negar. Macarrão à bolognesa, macarrão ao molho madeira, macarrão à puttanesca, macarrão ao molho branco, macarrão ao alho e óleo, enfim, tudo que envolva macarrão. (Senta-se na beirada do palco) Para mim, o macarrão sempre foi um empecilho nos meus relacionamentos interpessoais. Ah, e claro, também o fato de ser um lobisomem, afinal, quem gostaria de estar dando uma festa e, de repente ao olhar para o lado, vê um lobisomem segurando uma taça de vinho? Uma coisa que não é contada, é que lobisomens são gays, portanto, mulheres com fetiche por pêlos, sorry. Sim, somos gays, afinal de contas você já ouviu de alguma "lobimulher"? Um de nossos ancestrais tentou uma aproximação com uma Monga de um parque de diversões, mas descobriu à duras penas, ou pêlos, que gorilas não são chegados em lobos. (Anda em direção ao final do palco.) Um último aviso: cuidado com os pepinos. (Sai, e a cortina desce)
(Cortina sobe. Luzes do palco apagadas. Logo ouve-se o ranger de uma porta e as luzes são ligadas. Vê-se uma parede branca ao fundo com uma porta preta. Saindo dessa porta, vemos Sócrates travestido. Sócrates traz junto de si uma cadeira. Leva a cadeira ao meio do palco, senta-se e cruza as pernas. Procura algo na bolsa, uma piteira vermelha. Coloca nela o cigarro, o acende, e começa a falar)
Travesti: Acabei de chegar da funerária. Fui lá mandar fazer o meu caixão. Eu mesma desenhei e mandei fazer. É um caixão rosa e verde, com talhas de pássaros e flores parecendo aquelas iluminuras do século XVIII. Minha gente, desculpe o clichê, mas, (começa a cantarolar) "quando eu morrer, não quero choro nem vela!" (Levanta-se e começa a andar pelo palco e ocasionalmente olha para a platéia) E já preparei meu traje para meu funeral. Será totalmente Coco Channel, um longo preto com dois broches: um da Gisele - minha deu-sa! - e o outro é um broche de madrepérola que roubei de uma amiga, mas isso é outra história. Estarei calçando um par de Manolos Blahnik, pretos com detalhes de diamantes no salto. Sabe, eu acho que a vaidade é importante até na morte. Porque eu quero morrer com classe! Nada daquelas mortes à là Lupe Velez! Lupe sonhava em uma morte perfeita, e para concretizar seu plano, resolveu se matar. Jantou guacamole com tortillas. Depois foi ao quarto, colocou seu melhor robe de seda branca, e tomou uma cartela de remédios para dormir. (Senta-se novamente) Deitou-se na cama esperando a Morte ceifá-la. Porém, sentiu uma certa indigestão e foi ao banheiro. No banheiro, teve uma diarréia e vomitou. Sem forças, levantou trôpega e bateu com sua cabeça no granito da banheira. Resultado: morreu vomitada, cagada e com a cabeça embebida de sangue! Gente! Acabei de lembrar de uma coisa! Hoje comprei um novo estojo de maquiagem da D&G, querem ver? (Começa uma busca desenfreada em sua bolsa até achar o estojo) Olhem que lu-xo! (A cadeira se quebra e o travesti cai da cadeira e morre agonizando no palco com uma perna da cadeira atravessando seus pulmões. A cortina desce)
(A cortina sobe e vemos Sócrates de costas, vestido de soldado romano e dançando ao som de Like a Virgin. Ele vira-se para a platéia, dá uma risada, pega sua espada e começa)
Soldado: Eu comi a Madonna. Sério mesmo. A minha Madonna. Certo, não é a Madonna-Putona-Delícia, mas é a minha esposa, Madonna da Silva. Um dia desses, fui pegar uma roupa minha no armário e sem querer, abri a gaveta das calcinhas da Madonna, e lá vi duas baratas copulando sobre a calcinha de motivos havaianos, e eu não sei o porquê eu lhes disse isso. Ah, e antes que vocês me façam a mesma pergunta que o motorista do ônibus me fez, já vou dizer: estou usando essa fantasia de soldado porquê tenho uma festa a fantasia daqui a pouco, o tema da festa é "Pessoas da História que Tinham Bronquite". Achei um tema interessante. A propósito, sou professor de história da Universidade Galhos Secos Não Quebram. Minha tese do doutorado foi "A Influência dos Escaravelhos na Glória Maria", essa tese foi aplaudida de pé pelas cento e dezessete pessoas que assistiam a palestra. Se eu estivesse na platéia eu também aplaudiria. E depois da palestra eu distribuí quindins aos presentes, afinal o quindin também é citado em minha tese por causa de sua direta relação com a formação de folículos capilares. (Ouve-se o ínicio de I Want to Break Free. O soldado põe a mão no bolso escondido da fantasia, pega seu celular) "Oi amor. Sim, claro. Uhum. Ok, agüenta as pontas aí que eu logo chego aí". (Desliga o celular e o põe de volta no bolso) Meu povo, desculpem-me, mas a minha Madonna não conseguiu fechar os botões de trás da fantasia de Freira Clausurada, então vou ajudá-la. Até mais! (Saindo do palco e cantarolando Papa Don't Preach)"
Bom, esse é o primeiro ato de minha peça "Memórias de Marasmo", uma peça que analisa a malfadada vida de Sócrates por vários prismas sociais, econômicos, sexuais e mecânicos.
Espero logo terminar a minha peça para todos poderem vê-la e sentirem o mesmo que senti ao escrevê-la: um profundo sentimento de análise do homem e seus cães.
Gostaria que Sócrates fosse intepretado por Marcello Mastroianni, mas, acho que não dá...
quinta-feira, 3 de abril de 2008
Soneto da Ilha
Eu deitava na praia, a cabeça na areia
Abria as pernas aos alísios e ao luar
Tonto de maresia; e a mão da maré cheia
Vinha coçar meus pés com seus dedos de mar.
Longos êxtases tinha; amava a Deus em ânsia
E a uma nudez qualquer ávida de abandono
Enquanto ao longe a clarineta da distância
Era tambêm um mar que me molhava o sono.
E adormecia assim, sonhando, vendo e ouvindo
Pulos de peixes, gritos frouxos, vozes rindo
E a lua virginal arder no plexo
Estelar, e o marulho das ondas sucessivas
Da monção, até que alguma entre as mais vivas
Mansa, viesse desaguar pelo meu sexo.
(Vinicius de Moraes)
Abria as pernas aos alísios e ao luar
Tonto de maresia; e a mão da maré cheia
Vinha coçar meus pés com seus dedos de mar.
Longos êxtases tinha; amava a Deus em ânsia
E a uma nudez qualquer ávida de abandono
Enquanto ao longe a clarineta da distância
Era tambêm um mar que me molhava o sono.
E adormecia assim, sonhando, vendo e ouvindo
Pulos de peixes, gritos frouxos, vozes rindo
E a lua virginal arder no plexo
Estelar, e o marulho das ondas sucessivas
Da monção, até que alguma entre as mais vivas
Mansa, viesse desaguar pelo meu sexo.
(Vinicius de Moraes)
Ouvir Estrelas
"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: 'Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?'
E eu vos direi: 'Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."
(Olavo Bilac)
acordei poético hoje, e agora qqeufaço?
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: 'Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?'
E eu vos direi: 'Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."
(Olavo Bilac)
acordei poético hoje, e agora qqeufaço?
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