Sua afinidade, dizia Ele, era com a macumba. A idéia de fazer mal (ou bem) às pessoas, sem contato físico, muito lhe agradava. Um dia, conheceu um pai-de-santo e lhe perguntou se podia ir com ele ao terreiro.
- Pois bem, me acompanhe. - disse o pai-de-santo.
Ele acompanhou o pai, e adorou o lugar! Lusco-fusco, mulheres seminuas enquanto recebiam uma pombagira.
Os olhos d'Ele se enchiam com todo aquele ritual. Até que o pai disse:
- Meu fio, suncê qué uns passe?
Ele, sem saber que diacho era o tal do "passe", disse:
- Sim, painho. Tem de 5 unidades?
- Que que cê disse, fio?
- Passe, de ônibus, certo? É que eu ia embora andando mesmo, mas como o sinhô ofereceu o passe, agora vou-me de ônibus!
- Não, meu fio. Esses passe que eu dou, é uma coisa espirituá, metafís, entende?
- Claro, pai, manda o passe...
- S'ocê mora na grande Sum Paulo, o passe chega até terça. S'ocê num mora em Sum Paulo, aí tem frete, à contratar.
- Moro no Morumbi.
- Ô fio, muito bem. Aí, o pai vai te dá uns passe...
E quando o pai ia dar os passe, o cavalo cansou, e o orixá desencorporou.
E Ele tá sem passe até hoje.
Até porquê, o negócio d'Ele (segundo o próprio), agora é virar monge tibetano...
sexta-feira, 23 de maio de 2008
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Um comentário:
Mas Bah!
Gostei pur di mais desse tár de Semântica...
Baum ,baum! Continue iscrevinhando assim, voismicê irá se tornar um exímio escritor do Bairro, o miór de prefirência.
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