valsando a dança dos sem voz
sair não conseguimos
mas não por falta de tentar
o que nos impede ainda não descobrimos
talvez seja essa orquestra que não para de tocar
muitos já tentaram a valsa deixar
homens de boina e damas de peignoir
em verdade vos digo que eles saíram
e em verdade também digo que nunca mais os viram
isso que dançamos é uma dança sem par
é mais uma ciranda maldita
cheia de homens de boina e damas de peignoir
talvez seja essa orquestra que não para de tocar
muitos já disseram que da música não gostam mais
e perguntar-me-ás tu "por que eles não saem?"
porque eles descobriram que a dança lhes apetece mais
e os filhos dos homens de boina e das damas de peignoir
aprendem a viver essa dança sem reclamar
e todos se perguntam
"quando a dança acabará?"
embora as cãs já apareçam
parece que o maestro jamais se cansará
pergunto-me no entanto
"e se um dia a orquestra parar
o que farão o que acontecerá
ao homem de boina e à dama de peignoir?"
mas o maestro não se parece cansar
por isso creio que cá sempre iremos estar
nessa dança sem par
que é mais uma ciranda maldita
cheia de homens de boina e damas de peignoir

Um comentário:
Está na época de alguma eleição?
Forgive me the bad mood I'm a little tired of French television and these days I'm particularly sentimental.
E se me permite citar minha adorada Clarice:
"Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes… tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? Eu adoro voar!
Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre
****Clarice Lispector****
Abraços,
Léia
*** Não tá fácil falar frances!
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