quarta-feira, 4 de junho de 2008

Quero que Vá Tudo pro Inferno

Minhas unhas,
meu cabelo,
o Lula,
a Lua,
minha rua,
meus vizinhos,
os carros,
o pagode,
o barulho da cidade,
o sol,
a merda,
a porra,
o medo,
a insolação,
a carne de soja,
o Tio Sam,
as baratas,
as prévias das eleições americanas,
as crianças com fome,
o deputado larápio,
a NASA,
o BOPE,
o Pelourinho,
a batucada,
os homicidas do português,
o rato que roeu a roupa do rei de Roma,
a vaca,
o pasto,
a marca,
o final de semana,
a licença maternidade,
o INSS,
a anarquia,
a democracia,
o comunismo,
o capitalismo,
o meio-ambiente,
a camada de ozônio,
a favela,
o futebol,
a antena,
o verbo de ligação,
a etiqueta,
a puta,
a freira,
o abacate,
o repolho,
a Luciana Gimenez,
o ônibus lotado,
o teatro vazio,
o estádio novo,
a biblioteca velha,
o vereador,
a Bíblia,
a bula,
a goma,
a Tela Quente,
a Sessão da Tarde,
o macaco em extinção,
o cadafalso,
a colina,
o solstício,
o equinócio,
a órbita,
a falta de dinheiro,
as milhas,
a erva cidreira,
a babosa,
o artista,
o imitador,
o cansaço,
o Patrick Swayze e seu câncer,
o intrínseco,
o extrínseco,
a coluna social,
os acomodados,
os agitadores,
a meia rasgada,
a Nike,
o Playstation,
o Lost,
a falta da presença,
a presilha,
a cueca,
a ceroula,
a calcinha,
o raio-x,
o gama,
o alfa,
o beta,
a hipotenusa,
os outdoors,
a propaganda política,
o rap,
o hip hop,
o repentista,
a carpideira,
o Paulo Coelho,
o Jornal Nacional,
a CNN,
o Canal Rural,
o cinema comercial,
a Blockbuster,
o léxico,
o gago,
o cego,
o manco,
o melancólico,
o burlesco,
o filantropo,
a unanimidade que é burra,
a marca de copo molhado na mesa de madeira cara,
o conceitual,
o enjôo,
os que lêem,
os que vêem,
o Zé Ninguém,
o homem sério que contava dinheiro,
o faroleiro que contava vantagem,
a namorada que contava as estrelas,
a moça triste que vivia calada,
a rosa triste que vivia fechada,
o velho fraco que se esqueceu do cansaço e pensou que ainda era moço pra sair no terraço e dançou,
a moça feia que debruçou na janela,
a marcha alegre que se espalhou na avenida,
a lua cheia que vivia escondida,
o Créu,
a fábula,
o móbile,
o vírus encubado,
o argentino,
o vestido Valentino,
a bolsa Victor Hugo,
o salto Prada,
a lente,
a escova,
aquilo que dói no meu dente,
o cão,
o chão,
o pão,
o são,
o louco,
o arroz,
o feijão,
o latino-americano,
o anglo-saxão,
o afro-brasileiro,
o ítalo-inglês,
a Rainha,
o castelo,
o feudo,
o dólar,
o real,
o euro,
o iene,
a coroa,
o marco,
o peso,
a configuração,
o motor,
o gato,
o ronronar,
a ruína,
a rosca,
a rolha,
a rajada,
o rapé,
o engenheiro,
o matemático,
o oceanógrafo,
o estilista,
a Gestapo,
o Bush,

a Margaret Thatcher,
o Tony Blair,
a Lady Di,
a Princesa de Mônaco,
o Canal de Suez,
a Faixa de Gaza,
o Tratado de Tordesilhas,
o Canal do Panamá,
o acarajé,
o vatapá,
o tucupi,
o tacacá,
a pitanga,
o pires,
o cortiço,
o mulato,
a moça com olhos de ressaca,
o verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver,
a inocência,
o guarani,
o sargento de milícias,
o bom fim,
o mau começo,
a floresta amazônica,
a festa junina,
os banheiros públicos,
a falta da cultura,
a presença do inútil,
o voto,
a UE,
o FBI,
a ONU,
a CUT,
o cara que matou a mãe do Bambi,
a bruxa que envenenou a maçã da Branca de Neve,
o sapato de cristal da Cinderela,
o espinafre do Popeye,
o porquinho que construiu a casa de palha,
o irmão do Rei Leão,
a Pequena Sereia,
o Brutus,
a velha que jogou o coração do oceano no mar,
o menino que vê gente morta,
o anjo que se joga do prédio pra comer a Meg Ryan,
os créditos iniciais,
os créditos finais,
e o fade out.

2 comentários:

Karina disse...

Concordo Plenamente:
o anjo que se joga do prédio pra comer a Meg Ryan

Discordo Unissonamente:
Da Soja.

Ri litros, aqui!!

Anônimo disse...

ahhh, o gato não.